Para que treinar os jovens na escolha profissional?

Para que treinar os jovens na escolha profissional?

Durante mais de dez anos, fui professora universitária em faculdades e em cidades diferentes, apesar disso, algo em comum se mantinha presente nestas experiências: jovens indecisos e inseguros em relação a sua escolha e ao destino que iriam dar a sua carreira profissional.

Comecei a conversar com eles, sobre o exercício da cidadania, sobre o papel deles na sociedade, o que gostavam e como se identificavam com determinadas áreas do conhecimento. Alguns deles foram me pedindo que os orientasse individualmente. Assim, comecei no ano 2000 treinar o olhar dos jovens para o planejamento do seu percurso profissional.

Minha visão estratégica e sistêmica do planejamento foi muito útil, somada ao meu interesse pelo comportamento humano na sociedade que foram me motivando cada vez mais a me aprofundar no assunto das estratégias do mercado.

Para ajuda-los comecei a estudar cada vez mais e a revisitar minha própria história de vida.

Percebi que no momento da minha escolha profissional também precisei de ajuda profissional, porém, os testes vocacionais que fiz pouco me ajudaram, pois sinalizaram áreas completamente diferentes umas das outras e aquilo me deixou mais confusa.

Decidi seguir a profissão do meu pai, mas dentro de mim, uma força mais forte me conduzia para os estudos do comportamento humano e do imaginário social.

Paralelamente aos trabalhos que realizava fui me dedicando cada vez mais aos estudos da mente e do comportamento humano e como o meio social e ambiental interferem nas nossas formas de estar e agir no mundo. Com o tempo e com as observações, verifiquei o quanto a vida nos leva para caminhos que nem sempre gostaríamos de ter ido. E como as nossas relações vão abrindo possibilidades para trilharmos as nossas escolhas de vida.

A maturidade, as pesquisas e o autoconhecimento me comprovaram que o fato de não sabemos onde queremos chegar e o fato de nos conhecemos muito pouco faz com que “deixemos a vida nos levar”… Por outro lado, a mentalidade da sociedade que privilegia o dinheiro, nos conduz a uma visão parcial dos propósitos do trabalho em nossas vidas. Normalmente, o trabalho assume mais a visão do sacrifício do que do prazer e de um serviço em prol da sociedade.

A nossa vida de escolar, faz com que nos dediquemos a muitas matérias durante 12 anos de escola e depois, por mais 5 ou 6 anos de faculdade e depois pelas especializações, mestrados e doutorados… Porém quase nada aprendemos sobre nós mesmos. Somos ensinados a olhar o mundo exterior. Olhar o que os outros esperam de nós e, quase nada conhecemos sobre o que se passa dentro de nós! E quais são as nossas missões de vida. E qual os serviços que podemos prestar à sociedade e que dá sentido de estarmos aqui.

Estudos internacionais apontam que o profissional do futuro precisa ter inteligência emocional, social, criatividade e empatia para fazerem a diferença no mercado. Porém, como ter empatia por alguém se os nossos jovens estão cada vez mais individualizados no mundo dos jogos e Smartphones?

Sabemos que o futuro pertence às novas gerações, mas para construirmos um futuro diferente, precisamos mudar a forma como preparamos os jovens de hoje. Será que estamos fazendo isso?

Atualmente, no Brasil, a entrada para um curso universitário está voltada para a preparação para o ENEM. Será que basta sobrecarrega-los de matérias, informações e exigir o melhor desempenho de notas e Ranking? Os reflexos disto estão aparecendo no comportamento social desses jovens que estão  cada vez mais individualizados, se anestesiando nos games, nas séries, nas bebidas e nas drogas.

As formações emocionais, sociais, criativas e empáticas precisam ser conhecidas e postas em pratica pelos jovens e pelas crianças de hoje para mudarmos o futuro.

Treinar o olhar e o comportamento desses jovens para a escolha profissional é uma porta e o motivo de orientar os jovens a escolherem um caminho que os levará ao propósito e à missão de cada um na sociedade e que lhes dará sentido à vida, tornando-os mais comprometidos e motivados para a construção de uma carreira em prol de um mundo melhor.

 

*Fonte da figura: Revista Época

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